Como trabalhar com o Myrmex

O Myrmex não é um chat que responde perguntas sobre segurança. É um ecossistema de agentes de IA que lê, investiga e, quando você aprova, age no seu ambiente: servidores, endpoints, firewalls, nuvem, SIEM, EDR e service desk. Isso muda a forma de trabalhar com ele. O que mais pesa no resultado não é a frase perfeita, é o que os agentes conseguem alcançar e o quanto você deixa claro onde quer chegar.
Este guia reúne o que aprendemos acompanhando equipes de TI e segurança no dia a dia: como o ecossistema se organiza, o que preparar antes do primeiro pedido, como pedir, como revisar e como transformar o que se repete em rotina.

Como o ecossistema de agentes se organiza
Todo pedido começa no Centurion, o coordenador. Ele entende o que você quer, descobre qual integração ou dispositivo está em jogo e chama os especialistas certos. Cada especialista cuida de um domínio:
- Perseus: endpoints e servidores. Investiga incidentes, roda auditorias CIS, aplica correções e executa comandos no host.
- Família Hydra: especialistas por domínio de infraestrutura. Há um para equipamentos de rede e segurança (firewalls, roteadores, switches, Wi-Fi), um para SIEM e EDR, um para nuvem, um para bancos de dados, um para DevOps, um para observabilidade, um para service desk e um para identidade.
- Athena: postura e GRC. Prioriza os achados de auditoria de todas as integrações e resume o que importa.
- Orion: inteligência de ameaças. Verifica IOCs e CVEs nas fontes de threat intel configuradas.
- Scribe: documentos, relatórios e notas.
- Iris: pesquisa na web e na documentação do Myrmex.
- Brontes: opera a própria plataforma. Gerencia integrações, dispositivos, pastas, usuários e automações, sem tocar nos equipamentos.
Você não precisa escolher o especialista. Descreva o problema, e o Centurion monta a equipe. Se houver mais de uma integração possível (dois firewalls, duas contas de nuvem), ele pergunta qual usar antes de seguir.
Prepare o ambiente antes do primeiro pedido
Os agentes só trabalham com o que conseguem alcançar. Esse é o passo que mais muda o resultado, e o mais esquecido.
Instale o agente do Myrmex. O agente roda em Windows, Linux e macOS e trabalha de dois jeitos. No modo endpoint, cuida da máquina onde está instalado: inventário, auditoria, telemetria e as ações de resposta. No modo coletor, vira a ponte do Myrmex até o que não roda agente: equipamentos de rede, nuvem, SaaS e bancos de dados, por SSH ou API. A conexão é só de saída, pela porta 443, e o mesmo agente troca de modo sem reinstalar. Um dispositivo novo entra como não autorizado e só passa a receber ações depois que você o autoriza.
Conecte as integrações que o ambiente já roda. Firewall, nuvem, SIEM, EDR, identidade, service desk. As credenciais vão direto para o Myrmex; o agente de IA recebe só a integração criada, nunca a senha. Se você pedir algo que precisa de uma integração ainda não conectada, o próprio chat oferece o cartão para criá-la ali mesmo, e, quando falta um coletor, guia a instalação do agente antes.
Uma conta com três servidores e um firewall conectados já permite investigar, auditar e corrigir de verdade. Uma conta vazia só consegue conversar.
Escolha o modo de trabalho
No compositor, o primeiro botão à esquerda define como os agentes encaram a conversa:
- Rápido: perguntas simples sobre o ambiente, com as mesmas ferramentas do Padrão num modelo mais leve.
- Padrão: o modo inicial de toda conversa, para investigações e tarefas do dia a dia.
- Avançado: para tarefas complexas. O Myrmex quebra o trabalho em etapas e sub-itens, considera as dependências entre elas, e os especialistas escrevem a parte deles no plano.
A escolha vale para a conversa e passa a valer a partir da próxima mensagem. Trocar de modo não reinicia um plano em andamento.

Comece pelo problema, não pelo procedimento
Você não precisa ditar os comandos. Diga qual é o problema e o que espera no fim, e deixe o Centurion decidir o caminho. Alguns exemplos que funcionam bem:
- Investigação: "Investigue o alerta de força bruta na VPN e me diga o que fazer."
- Auditoria: "Audite o fw-edge-01 contra o CIS e priorize o que é crítico."
- Inventário: "Quais hosts ainda aceitam SSH vindo da internet?"
- Mudança: "Crie uma GMUD para bloquear os IPs do INC-2041 no FortiGate, com rollback e janela."
Escreva os passos só quando o procedimento em si for o que importa, por exemplo um runbook que a auditoria exige seguir na ordem.
Dê contexto e limites
Os agentes acertam mais quando sabem do que você está falando e o que não pode acontecer.
- Aponte o alvo. Use @ para citar o dispositivo, a integração ou a pasta. Isso tira a ambiguidade antes do primeiro passo. (Detalhamos isso em Contexto é tudo.)
- Diga os limites. "Não mexa em produção", "só leitura", "a janela é sábado às 2h". Limite dito no pedido vira limite no plano.
- Diga para quê. "É para o relatório do board" muda o nível de detalhe da resposta.
Se faltar algo, o Myrmex pergunta. Em qualquer modo, o agente pode parar no meio do turno e pedir um esclarecimento antes de seguir.
Acompanhe e revise antes de aprovar
Nada muda no ambiente sem você ver o que vai mudar. Durante o turno, a lista de passos mostra cada agente e cada ferramenta que ele usou, e cada passo abre a saída real do comando. Ao terminar, a lista recolhe numa linha, como "Executou 7 passos · 12 s", que você expande quando quiser conferir.
Quando a próxima ação escreve algo no ambiente, aparece o cartão "O agente precisa da sua aprovação", com os valores exatos que serão usados e as opções Confirmar, Editar e Rejeitar. Mudanças maiores, em várias máquinas ou com janela, viram uma GMUD com impacto, rollback e as regras de aprovação da sua equipe. Planos, tabelas e diagramas da conversa ficam guardados em Artefatos da sessão. (Por que isso importa: Aprovação humana que não é teatro.)
Revise também o raciocínio. Pergunte de onde veio um número, peça a evidência de um achado, questione uma prioridade. O agente responde com o que coletou.
Transforme o que se repete em rotina
Se você pede a mesma verificação toda semana, descreva-a uma vez e deixe o Myrmex cuidar dela. Em Books, você cria uma automação em linguagem natural, citando com @ os dispositivos e ferramentas, e o Myrmex monta um runbook que você revisa, edita e só então aprova e ativa. O disparo pode ser sob demanda, num agendamento recorrente, num agendamento único ou por webhook.
Descreva o que você quer saber, não só quando rodar: "Toda segunda, me mostre quais hosts ainda aceitam SSH vindo da internet e o que mudou desde a semana passada."
Cuide da base
O Myrmex fica melhor conforme o ambiente conectado fica mais completo e mais organizado:
- Mantenha as integrações saudáveis. Uma credencial expirada é um ponto cego. (Veja Sinais vitais.)
- Organize em pastas. Separar matriz, filiais e clientes dá contexto a cada pedido. (Veja Do caos ao contexto.)
- Cubra o que não roda agente. Um coletor alcança switches, firewalls e nuvem sem instalar nada neles. (Veja O coração da conectividade.)
Por onde começar
Instale o agente em um servidor, conecte uma integração que você usa todo dia e peça algo que hoje toma uma hora da sua semana. Revise o que voltar, aprove o que fizer sentido e, se a tarefa se repetir, transforme-a num runbook. Os próximos pedidos vão render mais, porque o Myrmex vai alcançar mais do seu ambiente.